A palavra é como um pharmakon. Um remédio, que te cura. Um veneno, que te mata. E um cosmético, que te embeleza.
O dom da comunicação é uma dádiva, mas que pode ser usado para o bem e para o mal. Platão dizia que a linguagem é um pharmakon. Esta, uma palavra grega, que traduzindo para o português, pode possuir três sentidos principais: remédio, veneno e cosmético.
Um medicamento ou remédio para o conhecimento, pois, pelo diálogo e pela comunicação, conseguimos descobrir nossa ignorância e aprender com os outros, ajudamos, curamos, resolvemos.
Um veneno quando, pela sedução das palavras, nos faz aceitar, fascinados, o que vimos ou lemos, sem que duvidamos se tais palavras são verdadeiras ou falsas.
Enfim, a linguagem pode ser um cosmético, maquiagem ou máscara para dissimular ou ocultar a verdade sob as palavras. Quando mascaramos as situações / fatos / acontecimentos para torná-los mais "bonitos". Quando usamos a ironia - não para ofender - mas para enganar. Um cosmético, feito apenas para embelezar, melhorar, aprimorar.
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